sábado, 25 de agosto de 2007

Era uma vez...


Vou contar uma historinha: Era uma vez uma garotinha. Ela sempre foi muito simpática e sorridente com todos a sua volta. Seu sorriso nem sempre foi verdadeiro; mas isso não quer dizer que ela seria falsa. Simplesmente não gostava de demonstrar seu medo do escuro. Muitas pessoas (muitas?) passaram por sua vida; umas a fizeram especial, outras... deixa pra lá. Ela não soube decifrar o próprio enigma; assim foi levando sua vidinha. Preto e branco, mas colorida. Ela não sabia se aproximar de pessoas, talvez por isso tinha poucas ao seu redor. Mas ela não era assim por querer ser melhor que outros; ela apenas não achava nada. Prevalecia a lei da inércia. Simples e de boa alma, sempre estava ali, naquele cantinho solitário, a espera de qualquer coisa ou alguém. Disposta a ajudar quem realmente precisasse; ela era indiferente. Mas não recusava uma boa dança. Dança, ela dançava, girava e rodopiava, como uma garotinha alegre e inocente. Ela desejava descobrir o mundo, desvendar seus mistérios, se encantar com suas belezas. Mas enquanto ela rodopiava, sempre acabava tropeçando e assim, caindo. Mas isso não a deixara nunca triste, pois sabia que podia se levantar e rodopiar bem mais do que antes. Tonta, ela caía sentada no chão. Sem forças, ela deitava e olhava para o céu. Via sonhos, amores, ilusões, idéias. E ficava ali. Viajando através de sua imaginação, como ninguém. De repente, invadiram sua mente e levaram todas as coisas boas embora. Ela corre, corre para muito longe. Mas nem sempre consegue superar-los. Desde então ela foge. Não sabe bem do que é. Mas sabe que precisa lutar com todas suas forças contra àquilo. Medo. Ela tem medo das sombras. Pois sabe que ali não é um bom lugar para se refugiar da tal coisa. Correndo, ela não sabe se vai conseguir. Mas existe um lugar. Um lugar onde ela sabe que pode confiar. Onde não existe medo, ilusões, perdições. Chega a pensar que talvez isso tudo não exista, seja apenas imaginação. Mas parece tão real. O que torna as coisas reais? E se não for o irreal? Ela vai morrer? Ela consegue fugir? Ela não sabe mais, o que costumava saber. Perdida, e sem ninguém (aparentemente) ela pára. Mas continua procurando. Até o momento que ela tanto esperou chegar. Acredita que tudo pode ter um fim ou um começo. Ofegante e tremendo, ela decide fazer nada mais. Ela deveria? Sem respostas à tantas perguntas que a rondam, ela escreve um ponto final. Seria um final? Triste e frio? Uma garotinha que girava e rodopiava, sem medo de cair, sem medo de viver. Ciclo vicioso.

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