O dia era 16 de Julho de 1969, a hora 9h32 da manhã. O local era Flórida, Centro Espacial Kennedy, no Complexo de Lançamento 39 da Nasa. Nenhum outro homem havia realizado tal proeza. A primeira viagem tripulada à Lua teve seu início com o lançamento da Apollo 11. No topo daquele imponente e estático engenho, uma pequena cápsula abrigava-nos: Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin, Michael Collins e eu, que aguardávamos ansiosamente para cumprir a missão que nos fora confiada. Ali, sentados pacientemente esperávamos a contagem regressiva que nos faria entrar para a História. Nada podia dar errado e um a um, todos os setores foram questionados se o lançamento podia ou não ser feito. Após ouvir todas as confirmações necessárias, o comando do alto da última linha de controladores: “Ok, vamos lançar!”. Sete, seis, cinco, Sequência de Ignição Iniciada, quatro, três, dois, um, zero... Lançamento.
Fechei os olhos, prendi a respiração: “Estou indo para a Lua”.
Os relógios agora marcavam 10h32 da manhã. A espaçonave da Apollo alcançou a órbita Terrestre após 11 minutos do seu lançamento. Após uma órbita e meia começamos a nossa viagem à Lua. Pudemos ver a maioria da África e partes da Europa e Ásia. Sensação inexplicável. Aquele era o meu Planeta! Me senti um deus. Após 2h44 de vôo a nave sobrevoava as Ilhas Gilbert, entre a Austrália e o Pacífico. 5h30 depois de lançada, a Apollo 11 estava a 35 mil quilômetros da Terra, viajando a 14 mil quilômetros por hora. Desde o lançamento na manhã de 16 de julho, a nossa atividade foi marcada por operações relacionadas às manobras no espaço, necessárias à colocação da Apollo 11 no rumo correto para atingir a Lua.
Durante quatro dias, tarefas rotineiras de checagem dos instrumentos e as diversas brincadeiras entre nós e o pessoal de Terra. E a Lua a cada dia mais próxima. Ansiedade só aumentava. Dormimos aproximadamente 9h por dia, mas não quebramos o recorde de 10h. Além de excelente observador, Aldrin, assim como eu, tinha o hábito de fotografar e sempre que o tempo permitia disparava sua máquina contra os alvos que achasse interessante. Entre os objetos vistos através de sua lente, a Terra era o que mais lhe fascinava, opinião compartilhada por mim, certamente. Durante grande parte da missão fotografamos nosso planeta com várias configurações possíveis e produzimos as mais belas fotos feitas durante o projeto Apollo.
Dia 20 de Julho de 1969. À medida que a Lua se aproximava, a tensão entre os controladores crescia e os primeiros preparativos para o pouso tiveram início. O momento era de grande importância e o evento estava sendo transmitido ao vivo. A Apollo 11 estava agora em órbita e pela primeira vez desde que partimos há quatro dias, vislumbramos a Lua. Se antes a posição em que viajávamos não permitia ver plenamente nosso satélite, agora toda a plenitude da paisagem despontava ante nossos olhos. A cratera Aristarcus, iluminada pelo brilho da Terra, hipnotizava. Atento a cada detalhe, Buzz Aldrin não parava de descrever a superfície, dando detalhes da geografia do local. As emoções aumentavam a cada segundo e os últimos preparativos estavam sendo tomados. Em poucas horas testemunharíamos um dos mais importantes eventos do século 20.
Muita apreensão na hora de finalmente pousarmos a espaçonave. Durante 14 segundos ficamos sem contato com o centro de controle. Os 14 segundos mais tensos de toda a viagem. E logo o conforto: "Houston, a tranquilidade baseia-se aqui. A Águia encontra-se aterrissada". Em resposta, o centro de controle: "Ok, entendido. Tem um monte de gente roxa por aqui, mas já estamos respirando de novo. Muito obrigado". Estas palavras iniciaram a nova era da exploração humana, a exatamente às 16h18 do dia 20 de Julho.
Apesar da chegada da Águia na superfície lunar ter sido marcada por uma série de contratempos, como o pouso em local afastado e o combustível praticamente esgotado, até aquele momento a missão da Apollo 11 fora um sucesso absoluto. Absolutamente fantástico.
Não havia muito tempo, mas a emoção de estar na Lua não nos impedia de descrever alguns detalhes que víamos da superfície: "Me parece que as rochas têm uma grande variedade de formas, ângulos e granulações. Não dá para identificar bem as cores, depende um pouco do ângulo do Sol, mas ao que parece não aparenta que tenham muitas cores”.
Armstrong não parava de tecer comentários sobre o excelente trabalho realizado pelos controladores e disse que a baixa gravidade da Lua não parecia incomodar. Para ele, os movimentos eram perfeitamente naturais. "Estou vendo a Terra. Ela é enorme e muito brilhante. Ela é maravilhosa!", exclamou.
Quatro horas após o pouso, demos início ao momento mais importante de toda a missão: o desembarque na Lua. Tudo meticulosamente calculado; a abertura da escotilha não representava risco de morte aos astronautas. Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a tocar a superfície da Lua e autor da mais célebre frase do século 20: "O que é um pequeno passo do homem, é um grande salto para a humanidade."
Eram 23h56 do dia 20 de julho de 1969. O dia em que pude vivenciar o acontecimento mais magnífico da minha vida. Avistei a Terra, enorme, brilhante, de um azul hipnotizante. Olhei para os lados, completa escuridão. Uma vista maravilhosa, maravilhosa desolação. Sensação mais que divina.