quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E passados 50 mil anos...

A tão sonhada Paz mundial. Todos se amando, ouvindo Imagine dos Beatles. Mãos dadas, abraços aleatórios. Tudo azul, o puro amor no ar. Tudo besteira. Hipócrita utopia. Catástrofe certa. Por que um final feliz, para você, humano? O mundo agora vive muito bem sem sua presença, obrigado. Não que sua existência tenha sido totalmente em vão, não. Afinal, deixou um legado, que não deve ser menosprezado. Suas culturas, artes, literaturas, línguas, histórias, genialidades... claramente possuem relevância. Mas sua extinção veio muito a calhar, convenhamos. Assim como qualquer modo de vida, desde seu princípio, o seu fim está certo. Ciclos são essenciais. Renovação. E você, com seu egocentrismo, acha mesmo que iria viver até aqui? Tolo. Esse é teu pior defeito, achar que o mundo teria que se submeter a tua ínfima existência. Faz-me rir, humano tolo, faz-me rir.






O mundo daqui a 50 mil anos:
Muito bem sem o humanos, beijos.







quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mais que chuvosos, dias.



Há quem goste da chuva, dos dias cinzas que colorem os sentidos. Há quem goste do frio sereno, que invade a alma e traz a tona todo aquele sentimento. Memórias muitas vezes já esquecidas; a visita da velha nostalgia. Velhos amigos, velhas brincadeiras, um bom filme, chocolates, abraços apertados, beijos sabor café. Meias quentinhas, edredon colorido, cheiro de gotas caindo do céu. Brisa saborosamente gélida. Atiçam os sentidos, invadem os corpos quentes, carentes. Demasiadamente doce, em tons pastéis. Todos aqueles sons e cores, e também os amores que ainda virão. Sublime. Que venham raios, trovões e relampejos; e o lirismo efêmero.

Ruas molhadas, luzes desfocadas, jovens que dançam no ritmo das gotas, sem medo de se molhar, sem medo de viver. Indescritivelmente vivos.

Há quem se contenta em observar; sentir o que a chuva traz consigo. Há quem senta num cantinho, ao ouvir aquela sinfonia natural, a escrever um poema. Há quem leia aquele livro de páginas velhas, quase esquecido no fundo da gaveta. Há quem sonha e há quem suspire. Há quem se sinta um tolo apaixonado, e há quem se sinta confortavelmente solitário. Há quem cante, há quem dance, há quem sinta, há quem viva toda essa chuva.




sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Houston, estou na Lua.

O dia era 16 de Julho de 1969, a hora 9h32 da manhã. O local era Flórida, Centro Espacial Kennedy, no Complexo de Lançamento 39 da Nasa. Nenhum outro homem havia realizado tal proeza. A primeira viagem tripulada à Lua teve seu início com o lançamento da Apollo 11. No topo daquele imponente e estático engenho, uma pequena cápsula abrigava-nos: Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin, Michael Collins e eu, que aguardávamos ansiosamente para cumprir a missão que nos fora confiada. Ali, sentados pacientemente esperávamos a contagem regressiva que nos faria entrar para a História. Nada podia dar errado e um a um, todos os setores foram questionados se o lançamento podia ou não ser feito. Após ouvir todas as confirmações necessárias, o comando do alto da última linha de controladores: “Ok, vamos lançar!”. Sete, seis, cinco, Sequência de Ignição Iniciada, quatro, três, dois, um, zero... Lançamento.

Fechei os olhos, prendi a respiração: “Estou indo para a Lua”.

Os relógios agora marcavam 10h32 da manhã. A espaçonave da Apollo alcançou a órbita Terrestre após 11 minutos do seu lançamento. Após uma órbita e meia começamos a nossa viagem à Lua. Pudemos ver a maioria da África e partes da Europa e Ásia. Sensação inexplicável. Aquele era o meu Planeta! Me senti um deus. Após 2h44 de vôo a nave sobrevoava as Ilhas Gilbert, entre a Austrália e o Pacífico. 5h30 depois de lançada, a Apollo 11 estava a 35 mil quilômetros da Terra, viajando a 14 mil quilômetros por hora. Desde o lançamento na manhã de 16 de julho, a nossa atividade foi marcada por operações relacionadas às manobras no espaço, necessárias à colocação da Apollo 11 no rumo correto para atingir a Lua.

Durante quatro dias, tarefas rotineiras de checagem dos instrumentos e as diversas brincadeiras entre nós e o pessoal de Terra. E a Lua a cada dia mais próxima. Ansiedade só aumentava. Dormimos aproximadamente 9h por dia, mas não quebramos o recorde de 10h. Além de excelente observador, Aldrin, assim como eu, tinha o hábito de fotografar e sempre que o tempo permitia disparava sua máquina contra os alvos que achasse interessante. Entre os objetos vistos através de sua lente, a Terra era o que mais lhe fascinava, opinião compartilhada por mim, certamente. Durante grande parte da missão fotografamos nosso planeta com várias configurações possíveis e produzimos as mais belas fotos feitas durante o projeto Apollo.

Dia 20 de Julho de 1969. À medida que a Lua se aproximava, a tensão entre os controladores crescia e os primeiros preparativos para o pouso tiveram início. O momento era de grande importância e o evento estava sendo transmitido ao vivo. A Apollo 11 estava agora em órbita e pela primeira vez desde que partimos há quatro dias, vislumbramos a Lua. Se antes a posição em que viajávamos não permitia ver plenamente nosso satélite, agora toda a plenitude da paisagem despontava ante nossos olhos. A cratera Aristarcus, iluminada pelo brilho da Terra, hipnotizava. Atento a cada detalhe, Buzz Aldrin não parava de descrever a superfície, dando detalhes da geografia do local. As emoções aumentavam a cada segundo e os últimos preparativos estavam sendo tomados. Em poucas horas testemunharíamos um dos mais importantes eventos do século 20.

Muita apreensão na hora de finalmente pousarmos a espaçonave. Durante 14 segundos ficamos sem contato com o centro de controle. Os 14 segundos mais tensos de toda a viagem. E logo o conforto: "Houston, a tranquilidade baseia-se aqui. A Águia encontra-se aterrissada". Em resposta, o centro de controle: "Ok, entendido. Tem um monte de gente roxa por aqui, mas já estamos respirando de novo. Muito obrigado". Estas palavras iniciaram a nova era da exploração humana, a exatamente às 16h18 do dia 20 de Julho.

Apesar da chegada da Águia na superfície lunar ter sido marcada por uma série de contratempos, como o pouso em local afastado e o combustível praticamente esgotado, até aquele momento a missão da Apollo 11 fora um sucesso absoluto. Absolutamente fantástico.

Não havia muito tempo, mas a emoção de estar na Lua não nos impedia de descrever alguns detalhes que víamos da superfície: "Me parece que as rochas têm uma grande variedade de formas, ângulos e granulações. Não dá para identificar bem as cores, depende um pouco do ângulo do Sol, mas ao que parece não aparenta que tenham muitas cores”.

Armstrong não parava de tecer comentários sobre o excelente trabalho realizado pelos controladores e disse que a baixa gravidade da Lua não parecia incomodar. Para ele, os movimentos eram perfeitamente naturais. "Estou vendo a Terra. Ela é enorme e muito brilhante. Ela é maravilhosa!", exclamou.

Quatro horas após o pouso, demos início ao momento mais importante de toda a missão: o desembarque na Lua. Tudo meticulosamente calculado; a abertura da escotilha não representava risco de morte aos astronautas. Neil Armstrong foi o primeiro ser humano a tocar a superfície da Lua e autor da mais célebre frase do século 20: "O que é um pequeno passo do homem, é um grande salto para a humanidade."

Eram 23h56 do dia 20 de julho de 1969. O dia em que pude vivenciar o acontecimento mais magnífico da minha vida. Avistei a Terra, enorme, brilhante, de um azul hipnotizante. Olhei para os lados, completa escuridão. Uma vista maravilhosa, maravilhosa desolação. Sensação mais que divina.

domingo, 11 de outubro de 2009

Pequeno confesso.

Há uma palavra me provocando uma certa repulsa ultimamente: amor.

Talvez não pelo seu sentido em si, mas pela sua extrema banalização. É isso, um clichê.
Assim como o "para sempre", "amor da minha vida" e toda essas coisas (melosas e vazias) que falam por aí. Sim, é de um vazio tão grande usar essas palavras que não têm sentido algum, que nem sequer sabem o que estão dizendo (e pensam que sabem). Eu, que também não sei, acho que há toda uma significância maior, que não cabe ser frase/palavra repetida e sim sentida (em suas infinitas tonalidades). E o que fazem é diminuir cada vez mais uma coisa divinamente bela. Aliás, coisa muito comum dos seres humanos. Sei lá. Isso me irrita um pouco. E me faz ser ainda mais distante. A verdade é que não quero ser um desses.



É, amor é para os fracos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Novas (e estranhas) experiências.

A excentricidade da minha mãe muito me deixa abismada na maioria das vezes, mas sempre é motivo para boas risadas. Ela muitas vezes é vista como louca, o que não deixa de ser verdade. Situações do nosso cotidiano revelam isso. Suas peculiaridades renderiam um livro. E essa é uma delas.

Certo dia, avistei minha mãe em pé na cadeira, apoiada na geladeira ao ler um livro em cima desta. Não pude deixar de parar o que estava fazendo para observar aquela peculiaridade.

- Mãe, o que você está fazendo?
- Estou estudando.
- Em cima da geladeira?

Soltei um “você é louca” e ela me disse que era bom experimentar lugares novos, que aquilo ajudava nos estudos e que seria bom eu fazer o mesmo.

Acho que virou alguma tendência essa coisa de experimentar ambientes novos, seja para estudar, ouvir música ou até para... é, sexo.

Resolvi pesquisar e como há estudos sobre tudo (mesmo) descobri que alguns cientistas fizeram um sobre a capacidade de memorização quando se experimenta “novos ares”, por assim dizer. A capacidade de absorção do conteúdo certamente aumenta quando deixamos a mesa e a cadeira de lado (o que no caso da mamãe foi só a mesa que fora deixada de lado), a velha biblioteca e até mesmo nosso amado quarto. Mas esses cientistas não estão sós, nessas palestras e livros de técnicas de memorização que estão na moda também afirmam o mesmo.

Inovar. Essa é a palavra de ordem. Em cima da máquina de lavar, de uma geladeira, de uma árvore, no elevador, no vizinho, no telhado da casa ou no terraço do apartamento, na parada de ônibus, na escada (de incêndio de prédios, rolante dos shoppings...), e mais uma infinidade de lugares improváveis. Temos um mundo para experimentar. E isso vale para a prática sexual também - sexólogos defendem.





Vale ressaltar que o texto é meramente fictício, ou nem tanto assim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

What happened to us?

What happened to me?

Ainda sinto-me entorpecida. Em um ciclo vicioso.
Vivo num piloto automático que nem eu sei mais como 'desligá-lo'. Iludi-me por poucos minutos, achava-me em estado 'manual'; mas não. Ainda não. Não completamente. Apenas superficialmente.
Minhas teorias, minhas críticas, minhas ideias: todas trancadas numa caixa de metal. E me pergunto onde a chave estaria. Ando procurando-a; alguém a viu?.

Faltam-me as cores, as formas, os sons. Faltam-me os suspiros, os sentidos, as chuvas. Faltam-me as tempestades, os devaneios, as divagações. Faltam-me os excessos, os medos, os anseios. Falta-me o profundo, o interno, o intenso. Faltam-me o ar, o impulso, a dor. Faltam-me a música, os filmes, os livros. Falta-me eu.


Como se eu estivesse trancada do lado de fora de mim...



Coisas muito boas acontecendo. Sinto que não estou realmente vivendo-as. Deveria.
E o tempo voa.

- Tempo efêmero, Quero meu Presente, meu Agora.