terça-feira, 2 de março de 2010

Abster-se.

Odeio quem me rouba a solidão sem verdadeiramente oferecer companhia. (Nietzsche)
- E odeio deixar-me fazer o mesmo, como fiz.


E aquilo tudo que deixei de dizer ainda me atormenta. Somehow.
Agora já não é mais tempo. Não aquele tempo. Não vou dizer que é 'tarde demais' numa tentativa hipócrita de justificar-me. Não. Mas é tempo novo. Não aquele tempo. As coisas mudam, eu mudo, ele muda, e mesmo que eu tente dizer tudo aquilo agora ou num futuro qualquer, não será realmente aquilo tudo que eu queria dizer - naquele tempo.





- Sabe, é como uma obra inacabada, que não ficou boa. Por isso a minha inquietação. Meu desconforto. É preciso refazê-la, acabá-la, para que eu [finalmente] fique em paz. Coisa de artista, sabe como é...


Na verdade, finjo acreditar nesse 'fim'.
Mesmo porque não houve um começo, propriamente dito.

4 comentários:

Anônimo disse...

então diga cuspa vomite tudo pra fora
atire contra suas frustrações ,palavras,
quem sabe de ódio,
quem sabe de amor
vomiteas
em uma mesa cheia de ouvintes
atingindo cada um com seus
escarros ,seus escabros...

Anônimo disse...

Deus, que aflição!

E o pior é que entendo, e como entendo.

Porque... é como se dizer agora o que poderia ter dito ontem, soasse extremamente banal; talvez tolo.
É como se o tempo tivesse que ser exato pras palavras soarem com algum sentido. Pra se sentir realmente algum alívio depois do "pronto, falei".


Droga, droga. Efeitos colaterais do excesso de vida. Ou não. Mas é melhor que seja, pra gente se sentir menos idiota. HAHAHA

Como sempre, adoro isso aqui :**

John disse...

Você conseguiu retratar uma das sensações que mais me aflige com perfeição.

Adorei o texto.

Fátima Montenegro disse...

Adorei! E acho que meu outro comentário não foi postado! =/
Estava me sentindo assim, nesse exato momento, e não esperava encontrar um texto sobre isso aqui, tão intenso... Funcionou como um balde de água fria, irei voltar a escrever depois disso, ou acho que morro (a dramática, hahahahahaha).