Vida (?) escolar.
Há uma certa relutância de minha parte em escrever sobre minhas experiências escolares. O motivo é simples (ou complexo, dependendo do ponto de vista): não tive boas recordações quando o assunto é vida escolar. E talvez esse conjunto de fatores tenham de certa forma me “bloqueado”. Não consigo escrever sobre o passado. Não como eu acho que deveria, com fluidez. E nem pretendo me desgastar escavando o passado. Ele está muito bem onde está, obrigada.
Certo dia, ao assistir ao programa de entrevista da Marília Gabriela, um convidado (Juca de Oliveira) disse: “Não me dedico ao passado, só ao presente. A morte é proporcionalmente próxima à quantidade de passado que você tem”. E complementou: “Se você for fazer um escaneamento do que já fez, você morreu". Eu não quero “morrer”, pelo menos por enquanto.
Contudo, ao ler Fomos maus alunos, veio-me na cabeça alguns fatos vividos até parecidos com os dos autores. Sobre a caixa e o brinquedo, assunto inicial do livro, muito me interessou as metáforas: o brinquedo como sendo a escola e a caixa como o mundo que a cerca. Assim como Gilberto Dimenstein, compartilho da mesma ideia: “Eu detestava a caixa e também o brinquedo. Para mim, a escola foi um problema durante toda a minha vida escolar. Não houve um único ano em que a escola tenha sido estimulante e fonte de realização. Então, acabei desenvolvendo algumas defesas para tentar me proteger.”
No meu caso, minha defesa foi o isolamento. De certa forma foi bom. Pude conhecer melhor o meu mundo interior, ou em outras palavras: cresci como pessoa. Aprendi muita coisa sobre a vida e percebi que ainda há um infinito para se apreender. Opiniões, teorias, ideias foram formadas, transformadas e até desfeitas. E citando mais uma vez um dos autores: “Parece que essa experiência, de talvez, solidão – força a gente a desenvolver recursos pessoais para lidar com a vida.” E foi assim que aconteceu. Minha solidão (in)voluntária contribuiu para ser quem sou hoje, apesar das muitas desvantagens que ela trouxe consigo. Encaro as coisas hoje como sendo um grande aprendizado; tudo um dia fará sentido (o não fazer sentido também tem seu sentido) e há sempre o que aprender. Isso vale principalmente para minha vida escolar, que foi um drama/tragédia (no sentido teatral), mas que me foi extremamente útil.
Fui uma aluna peculiar. Nunca reprovei em matéria alguma, mas não era considerada uma dos “nerds” da escola. Na verdade, fui “nerd” na escola que estudei até a oitava série. Mas a partir do primeiro ano do segundo grau, já em uma outra escola completamente diferente, me tornei a medíocre, “mais um número entre tantos outros”. Até a sexta ou sétima série sentava na frente (o lugar dos tais “nerds”), mas nos anos seguintes descobri que a “turma do fundão” era muito mais interessante, salvo algumas muitas exceções.
Porém, houve sim uma grande contribuição para a escolha de uma "área de atuação no mercado", logo no ínicio do terceiro ano: uma simulação das Organizações das Nações Unidas. Algumas escolas promovem esse tipo de simulação, a minha foi uma. E lá pude vivenciar, nem que superficialmente, a área de Comunicação Social, mas precisamente a de Jornalismo. Uma semana de correria, estresse e diversão. Uma experiência que valeu muito a pena, inesquecível.
Eu gostava de estudar, mais para passar logo de ano e chegar o mais rápido à faculdade. Portanto, a escola em si foi só um obstáculo que precisei contornar para chegar onde eu realmente queria: onde estou hoje.
Vida social: tendendo a zero, quase sempre.
Amigos: os poucos que fiz me foram suficientes. E ainda são. O que não quer dizer que não esteja aberta para novas amizades. O diferente (e o novo) sempre me atraiu.
Perversões: eu fui/sou uma perversão (no meu sentido, claro).
Algumas palavras que resumem (bem) a minha tal vida escolar: estresse, confusão, decepção, conquistas, raiva, alegria (mesmo que pouca), amizades, inimizades, tragédia, indiferença, barulho, silêncio, cansaço, tédio, (des)contentamento, solidão, individualismo, desprezo, preocupação, auto-conhecimento, criatividade (e a falta dela também), pressão, conhecimento, (i)maturidade...

2 comentários:
Camila, o seu texto ficou bem interessante. Você chegou a pensar em utilizar alguma imagem nesse texto "Vida (?) escolar?"
Bom, eu não sei se era pra gente comentar aqui. Mas eu gostei bastante do seu texto, então vou fazer isso mesmo assim. xP (Não sei se deu pra perceber, mas sou da sua aula de 'CEU'.)
Bem, adorei o pensamento do Juca de Oliveira que você colocou, é novo pra mim, mas eu me identifiquei muito.
;*
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